Notícias › 17/08/2017

REFLEXÃO SOBRE SANTA CLARA DE ASSIS – NOVICIADO COMUM

Caríssimos irmãos, hoje celebramos com grande alegria a festa de nossa irmã e mãe Clara de Assis. Queremos nesta louvação e ação de graças nos unirmos às nossas irmãs Clarissas, em especial aquelas presentes em nossas Entidades (Anápolis, Dourados, Araputanga, Marília e Uberlândia).

Hoje, irmãos, a liturgia nos faz repetir, aquilo que escutamos no versículo da aclamação: “Vem, esposa de Cristo; recebe a coroa que o Senhor te preparou para a eternidade”. Esta antífona é um convite voltado de modo particular a ela, mulher cristã, Clara de Assis: “Vem esposa de Cristo recebe a coroa que o Senhor te preparou para a eternidade”. Vem, é antes de tudo uma vocação e um chamado que o Senhor faz a algumas pessoas especiais. “Vem”, escutamos na primeira leitura, “conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração”.

Eu gostei deste trecho porque nele foi proclamado, o mistério da vida de Clara de Assis. Ela foi chamada, chamada pelo Pai, porque ninguém pode ir até Ele se não se sentir chamado, mas o chamado de Clara aconteceu através de uma mediação, como naturalmente aconteceu com cada um de nós em nossos chamados. É Deus que chama: “Vem, conduzi-la-ei ao deserto”. Este chamado pode acontece através do testemunho de um irmão ou de uma irmã, e uma voz concreta e real deste chamado de Clara lá no seu tempo em Assis, foi a de nosso Santo Pai Francisco de Assis.

É Deus Pai quem chama, a vocação é um dom do alto, ninguém pode se apresentar diante Dele, ninguém de nós teria a pretensão de dizer “eis-me aqui” se não estivesse respondendo a um chamado. “Vem”, é um chamado que não podemos explicar, é um chamado que entra no profundo do nosso coração e da nossa carne. É um chamado sugestivo, é um chamado misterioso, é um chamado belíssimo. Clara, uma simples e bela moça de Assis se apaixona não por Francisco, mas se apaixona por Jesus através do testemunho de Francisco: “Vem ao deserto, falar-lhe-ei ao coração”.

A escuta e o ressoar deste chamado pode-se aludir ao noviciado. É aqui, nesta experiência, enquanto noviços que no amanhecer de cada uma de suas vocações existe este “falar ao coração”, é como um apaixonar-se, é como um diálogo entre a alma e Deus que acontece no silêncio, que acontece em meio ao sofrimento, e muitas vezes acontece em meio a uma tortura interior: “falar-lhe-ei ao coração”.

A partir deste magnífico ícone de nossa espiritualidade francisclariana, que celebramos nesta manhã, Santa Clara de Assis, eu convido a cada um de vocês noviços que foram chamados, a nós do coetus que também fomos chamados, a refletirmos sobre este tempo especial de graça, como o momento de ir ao deserto, é o deserto do coração, é o deserto de uma cultura que não nos fala de Deus; hoje, tudo nos fala da ausência de Deus.

Os santos e de modo especial Santa Clara nos esclarecem e nos convidam a entrarmos novamente em nosso coração, a voltarmos a nossa cela interior. Ela, Clara, ofereceu a sua jovem vida (como você frei Carlos, frei Gutierres, frei Lucas M., frei Lucas O., frei Marciel e frei Raylan). No Domingo de Ramos ela ofereceu toda a sua juventude, ofereceu a sua inteligência, até mesmo o seu corpo, tudo foi oferecido ao Esposo e começou nela um diálogo místico que nunca mais acabou. Este diálogo que ela viveu constantemente na presença do Senhor.

“Conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração”, Clara irá viver a sua vida numa dimensão sacrificial, ela oferece toda a si mesmo ao Esposo que vem, e o Esposo é o Senhor. Um lindo dom colocado em um vaso de barro. Caríssimos confrades, nós também conservamos o dom da vocação, este chamado num vaso de barro, a qualquer momento podemos quebrar, podemos rachar, podemos trincar, mas nós temos dentro de nós o dom que recebemos de Deus, mesmo que às vezes ficamos atribulados, abatidos.

Clara não quis outra coisa no mundo a não ser oferecer-se totalmente a Ele, ao Esposo, a este esposo que um dia através do Pai lhe disse: “Vem!” E ela na sua liberdade, na beleza, na novidade, pulando e cantando como uma criança feliz na cidade de Assis se estabelece na Igrejinha de São Damião, lugar que marcou profundamente a vida de Francisco. Ela fica ali dentro, na oração e no oferecimento para edificar a Igreja, segundo o que Jesus lhe havia dito, e que nós também escutamos no Evangelho: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”.

Caríssimos irmãos noviços, nesta experiência de noviciado vocês são chamados a permanecerem no amor do Senhor, permanecerem na estabilidade, permanecerem neste convento no meio deste deserto. Lá na cidade existe o barulho nas ruas, um mundo que corre, lá fora tem a distração, lá fora tem a destruição, lá fora tem o homem em busca da verdadeira felicidade. Mas vocês encontraram nesta vida o sentido da vida, e por isso este período que vocês passam aqui não é inútil, como alguns aí fora no mundo podem pensar.

Vocês não são “mortos vivos”, vocês são homens que a cada dia se apresentam a Deus como um camponês que prepara e cultiva a terra, para plantar e colher bons frutos. Vocês como Clara, estão oferecendo a Ele a vida de vocês, aqui vocês cantam, rezam, trabalham, vocês sofrem, mas na esperança de consumarem na eternidade aquilo que agora iniciaram na vida de vocês.

“Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” é o que o Mestre Jesus fala todos os dias a vocês, ou seja, habitem em mim, vivam em mim porque sem mim nada vocês podem fazer. Como é lindo, olhar para esta casa como o lugar onde a oração se eleva ao Senhor, onde um ajuda o outro a permanecer com os braços elevados ao Senhor, onde rezamos pela Igreja, pelas nossas famílias, pelos nossos confrades, pelos nossos amigos e benfeitores. Aqui vocês parecem fechados ao mundo, mas, na verdade estão abertos ao Senhor.

“Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”. Permaneçam no amor de Deus, permaneçam diante da Eucaristia, ou melhor, com a Eucaristia nas mãos, como fez Santa Clara. Para que cada homem e cada mulher possam encontrar, através de vocês o segredo da felicidade.

Como um dia Jesus atraiu permanentemente Clara de Assis ao deserto da clausura, permitam que Jesus lhes atraia e lhes conduza ao deserto do noviciado para falar-lhes ao coração na contemplação. “Permanecei no meu amor… Assim dareis muitos frutos… assim sereis meus discípulos”.

 

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