Artigos › 21/01/2015

Vocação e conversão

O Evangelho do Terceiro Domingo do Tempo Comum, acompanhando o ministério público de Jesus, nos trás o cenário do chamamento dos primeiros apóstolos. Embora a narrativa transcende a crônica detalhada e histórica, relaciona a vocação com a importante e fontal experiência da conversão de vida.

De fato para seguir a Jesus Cristo é necessário reconfigurar o projeto de vida, os valores e coordenadas existenciais que perfazem nosso comportamento e forma de relacionarmo-nos com Deus, as pessoas que nos rodeiam e o próprio mundo. A conversão cristã abrange todo o nosso ser, a forma de pensar, falar, sentir, e trabalhar. Afeta por inteiro a nossa inserção social e nos leva a um novo olhar a partir da fé, como resposta a Jesus.

É verdade também que após a conversão inicial que supõe refazer a nossa proposta existencial, para manter o rumo da caminhada e ser fiel ao projeto escolhido torna-se necessário uma conversão permanente, isto é, andar sempre sob o impulso do Espírito que nos amima e santifica, e possibilita a permanência e o crescimento na vida cristã.

Isto que parece tão claro e simples na passagem evangélica, é dificultado hoje pela cultura da modernidade líquida, que esboroa no efêmero e evanescente as propostas de vida limitando-nos a narrativas de curto prazo ou ainda a vidas que fluem sem objetivos nem metas. No entanto fomos criados para o amor e a comunhão, e nosso coração tem sede de beleza e de absoluto, não se conforma com miragens de fumaça ou sensações epidérmicas.

Por isso o chamado continua encantando jovens e adultos que não se conformam com a opacidade e mediocridade de um mundo sem horizontes, sem ideais. Mas para que esse convite não seja desaproveitado ou ainda perda seu impacto, exige-se a atuação inspiradora e acolhedora de uma pastoral vocacional, presente e próxima da vida do vocacionado.

Uma pastoral que gere e crie na comunidade eclesial um clima e cultura de nutrição e apoio as vocações, oferecendo discernimento, acompanhando e testemunhando a alegria e beleza do chamado. Que transpareça e descortine o verdadeiro sentido da vida, a partir do amor maior que Cristo nos revela, que nos torne apaixonados e fascinados com o seu Reino de paz, de justiça e de solidariedade com os pobres. Deus seja louvado!

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

(Fonte: www.cnbb.org.br)

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