Setembro Amarelo
Por Frei Rogério Constantino, OFM
Já Estamos no mês de setembro, mês dos ipês e da exuberância expressão do nosso bioma cerrado. E, mais uma vez, temos a oportunidade de refletir sobre a campanha do setembro amarelos e o seu significado para a sociedade contemporânea. Com o propósito de valorizar a vida e reduzir os elevados índices de suicídio, a campanha retorna, mais uma vez, para abordar um tema que ainda é difícil de ser discutido e pouco debatido no convívio social, mas que traz consigo estatísticas preocupantes.
Durante qualquer jornada, é essencial observar o caminho. É igualmente importante prestar atenção àqueles que caminham ao nosso lado. De alguma forma, entre idas e vindas, entre inícios e conclusões, vamos deixando sinais ao longo do trajeto: abraços, sorrisos, histórias e momentos de crise.
Dentro dessa complexidade, torna-se necessário perceber tais sinais: o abraço que é um pedido de socorro, o sorriso que disfarça a tristeza, a narrativa que não deveria ter existido ou a dificuldade que permaneceu sem solução. Conversar sobre a importância da vida é também reconhecer que existe, paralelamente, uma tendência ao abandono do desejo de viver.
Se ao longo do seu percurso alguém cruza com você e, de alguma forma, deixa um sinal incompatível com esse caminho, é hora de voltar sua atenção para essa pessoa. Desde a infância aprendemos as cores do semáforo. Elas nos orientam e protegem para que os trajetos cotidianos não resultem em colisões.
Cada luz, cada cor carrega um significado e, se analisarmos como elas correspondem a diferentes fases da nossa existência, perceberemos o quanto isso faz sentido. Há períodos em que precisamos fazer uma pausa, momentos em que é necessário seguir adiante e existe também a fase intermediária: a de estar alerta. Cor amarela: para si mesmo ou para alguém próximo.
O movimento Setembro Amarelo teve início em 1994, nos Estados Unidos. Naquele ano, Mike Emme, com apenas 17 anos, tirou a própria vida. O jovem, conhecido por sua habilidade, restaurou um Mustang 68 e pintou o veículo de amarelo.
Familiares e amigos do rapaz não notaram seus problemas emocionais e, por isso, não puderam ajudá-lo a tempo. Durante o velório, pessoas próximas organizaram uma cesta repleta de cartões e fitas amarelas. A frase que se destacou na homenagem foi: “Se precisar, peça ajuda”.
A história de Emme marcou o nascimento da campanha. Nesse cenário, o laço amarelo tornou-se símbolo da prevenção e do enfrentamento ao suicídio.
No Brasil, a iniciativa foi oficialmente adotada em 2015, por meio da parceria entre o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Os Frades Franciscanos da Província do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil, presentes nos estados de goiás, Tocantins e Distrito Federal, abraçam a campanha do setembro amarelo.
Promover o valor da vida! A vida humana é considerada sagrada e inviolável, desde a concepção até a morte natural, sendo um dom de Deus. A dignidade da pessoa humana é um princípio fundamental da doutrina social da Igreja Católica, que se manifesta em diversas áreas, como a oposição ao aborto e à eutanásia, e para os franciscanos a luta e empenho na defesa da paz, da justiça e integridade da criação.
São Francisco de Assis ensina, no Cântico do Irmão Sol (Cântico das Criaturas), que no fim da sua vida, que foi vivida em plenitude, na perfeita obediência ao projeto de Deus ele pôde entregar-se à Irmã Morte corporal. Ali era o marco para o fim da sua vida terrena e abertura para a vida eterna. E isso é para todos aqueles que cumpriram bem o seu papel de viver conforme a santíssima vontade do Senhor, esses terão a vida e “vida em abundância” (Jo 10,10).
O Evangelho segundo São Lucas traz Jesus ensinando sobre a verdade da Ressurreição dos mortos, que ele mesmo vai experimentar, mas também aqueles que são seus: “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem para ele” (Lc 20,38).
A proposta da campanha do setembro amarelo apresenta o tema: Paz e Bem: Um caminho que também passa por dentro, e propostas de reflexão como: “Reencontre sua força interior, busque ajuda”; “Cuidar da vida começa no gesto simples de escutar, acolher e estar presente”. A finalidade dessa campanha é ir para o mais profundo do valor da vida humana, dom de Deus. O objetivo primordial é a tomada de consciência sobre a importância do tema, sobretudo pelos que partilham o ideal da missão e do carisma franciscano, pelos que passam caminhando, ou em seus veículos automotivos, em torno do Convento São Francisco de Assis. Assim se espera que todos se sintam tocados, mobilizados e comprometidos com a valorização da sua própria vida e da vida dos outros.



